quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Tempo (1993)


Tempo (1993)

 

Tempo… existência não existente,

Entidade abstracta, inconsistente,

Ser – Não Ser, império

Incompreensível, intocável mistério.

 

Tempo – catacumba de um passado

Longínquo

Invólucro de um futuro

Que ecoa

Num Agora de sino adiantado.

 

Uma inequívoca e infinita iniciação

Algo ilimitado, pura des-reflexão.

 

Tempo… quem sabe?

Invenção de um homem sequioso,

Covarde homem face a um vazio,

Covarde de pavor perante a anulação.

A anulação de si, do aqui.

 

Sob o olhar atento do Céu,

Sob o escutar perspicaz do vento,

Perante a imensidão de um mar

Dolente, carente…

O tempo passa

Para não mais voltar

Passa e não volta!

 

O sussurrar da brisa o revela,

Em esbatimento de luz quando sombra.

Em fulgor de sombra quando luz.

Mas o tempo passa

Para não mais voltar

Passa e não volta!

Conceição Sousa in "Eu ou Ela?"

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