de repente, tudo desaba
é suposto ser tranquilo,
de repente, tudo desaba.
um simples pedido
é retido num “calma” -
que se estende no tempo
e a carência aumenta.
o desdém vem do acto
imaturo do momento -
a paciência acaba.
o pedido volta a ser feito.
no mesmo tom lânguido
é negado a preceito.
desprezo vejo nos olhos
ódio e recalcamento.
será que um dia termina
esta união em tormento?
a menina à avó confessa:
primeiro a mãe, depois o cão
a seguir o fogo de artifício -
que sacrifício.
o menino faz prometer
que nunca a separação
irá na linha ocorrer.
escuta da boca da mãe
palavras de consolo.
busca no olhar do pai
alento para a sua alma.
é tida a sua opinião
nestes segundos de dolo;
é-lhe explicada a razão
de tanto sofrimento:
abismos de personalidade
que travam o entendimento.
compreende, no entanto,
mantém-se na retaguarda:
“não gosto disso” -
remata.
saltimbanco não quer ser
outros exemplos descarta :
é uma família a valer.
pede para agir
e sua estratégia usar,
tem permissão para ir
e mimo no pai buscar.
diz-lhe umas palavras,
traz a companhia aguardada
e com dois beijos na testa,
um aconchego de cobertor,
termina em paz esta festa:
é só o que nos resta.
e o só é tudo.
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