terça-feira, 25 de novembro de 2014

de repente, tudo desaba


de repente, tudo desaba 

é suposto ser tranquilo,

de repente, tudo desaba.

um simples pedido

é retido num “calma” -

que se estende no tempo

e a carência aumenta.

o desdém  vem do acto

imaturo do momento -

a paciência acaba.

o pedido volta a ser feito.

no mesmo tom lânguido

é negado a preceito.

desprezo vejo nos olhos

ódio e recalcamento.

será que um dia termina

esta união em tormento?

a menina à avó confessa:

primeiro a mãe, depois o cão

a seguir o fogo de artifício -

que sacrifício.

o menino faz prometer

que nunca a separação

irá na linha ocorrer.

escuta da boca da mãe

 

palavras de consolo.

busca no olhar do pai

alento para a sua alma.

é tida a sua opinião

nestes segundos de dolo;

é-lhe explicada a razão

de tanto sofrimento:

abismos de personalidade

que travam o entendimento.

compreende, no entanto,

mantém-se na retaguarda:

“não  gosto disso” - remata.

saltimbanco não quer ser

outros exemplos descarta :

é uma família a valer.

pede para agir

e sua estratégia usar,

tem permissão para ir

e mimo no pai buscar.

diz-lhe umas palavras,

traz a companhia aguardada

e com dois beijos na testa,

um aconchego de cobertor,

termina em paz esta festa:

é só o que nos resta.

e o só é tudo.

 
Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."

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