sábado, 15 de novembro de 2014

alma tatuada


alma tatuada

 
esta minha alma é um chorar contínuo -

e a lágrima que não seca;

e a dor que não passa.

sou um caco: uma autêntica desgraça.

amo tanto: e tão pouco de mim fazem -

tão pouco de mim faço.

sou um nada perdido, abandonado, na estrada.

ai. quem me dera estar sossegada. ser consolada.

e dói senti-lo : ali.

e dói ouvi-lo: aqui.

e dói vê-lo: ali.

e dói amá-lo, nas estrelas amá-lo : aqui.

dói. dói. dói.

e a lágrima que cai, cai, cai.

sufoco.

quando não era - quando nem eu me sabia lá -, amava-me tudo : tudo.

agora que sou - que me sei cá -, tornou-se mudo : e surdo.

deixou de me ver : prefere esquecer. ou nem sequer me quer saber.

e este mundo que a nada me sabe :

que esta vida estupidificada e encravada acabe.

nasci. já sei. e nem sequer vivi - ou sorri.

apenas de me tentar tentei. mil vezes tentei - e chorei.

e choro, choro, choro : neste constante chorar demoro. tu: imploro.

e dói sabê-lo: ali.

saber que , sem de verdade o sentir, morrerei. morro. morri.

é assim: uma alma encravada - de teu nome, num rompante, tatuada.

e por te amar, p'ra todo o sempre, glorificada.

condenada a sofrer - neste escrever - sem nunca, de verdade, viver.

amor? só nas lágrimas a correr. não há como as conter.

 

 Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."

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