o que procuro não me encontra
na casa onde me deito, consinto o
teu abraço – e dele, meu leito faço.
nos lençóis onde me embrulho,
presente em ti me ofereço –
e logo de mim me despeço: me
desfaço.
é longa a despedida, tem anos de
devoção –
estranho-me perdida nos braços
teus: união.
rasgas-me amiúde no invólucro do
que não sou,
marca de água na tua pele – essa
lágrima em que estou.
o que procuro não me encontra,
arremessa-me na escuridão: vida
sem sal, sabor de sempre, a não.
e enconcho-me na retranca, espreitas-me fel ,fechadura;
o que vês nem te balança, nem me
traz qualquer doçura:
doo-me no sangue,
doo-me na alma,
doo-me amante,
doo-me sem, de mim, me saber
salva,
doo-me em doer
e doo-me ao doar
o que procuro não me encontra,
e o que me encontra…
nem sequer me sabe procurar.
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