domingo, 30 de novembro de 2014

Em um castelo frágil (18.07.1995)


Em um castelo frágil (18.07.1995)

Em um castelo frágil de areia

Construí meus sonhos de criança

Doces, que nem a fruta já madura

Ternos, que nem o olhar de uma mãe

Lindos, profundos, sentidos.

A névoa matinal protegia-os

Com seu véu opaco de orvalho

E o som uivante dos navios

Perpetuava-os em ilhas longínquas.

Acalentava-os o calor desértico

E as carícias das calmas marés.

Mas eis que uma vaga irascível

Se ergue no salgado do crepúsculo

E com sua força cruel, irreprimível

Destrói o castelo, o sonho, a ternura do olhar.

E o que resta?... Uma ilusão apagada

Um não mais escutar…
 
Conceição Sousa in "Eu ou Ela?"

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