Paro
No olhar meigo de meus filhos
E bebo tranquila inspirada
Seu doce (e)terno sorriso
Vejo/Beijo nestes cálidos momentos
Um laivo da benévola amante Deusa
Que concede à nossa ansiosa demanda
Imensidão de afectos, sabores e cores.
Está à frente de nossos amordaçados olhos
Tão perceptível no
toque singelo de lábios
Tão evidente no gesto simples de afago
Mas assim mesmo…
Insistimos em não querer ver
Palpar, saborear, escutar, beijar
Cheirar, intuir, sei lá!
Na verdade, somos incapazes
Do óbvio percepcionar.
Somos parte evidente de um todo
Que nos mima, abraça e acompanha
Imensa é a luz, no iluminar tamanha
A amplitude em nosso respirar.
É só descentrarmo-nos do ego
Embrenharmo-nos na ramagem
Nessa que é a mãe, pura beleza
Espírito da fonte, essencial à vida
Ciclo do ser no estar e do estar no ser.
É isto viver.
Conceição Sousa in "pontas soltas: nós"
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