segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Paro


Paro

No olhar meigo de meus filhos

E bebo tranquila inspirada

Seu doce (e)terno sorriso

Vejo/Beijo nestes cálidos momentos

Um laivo da benévola amante Deusa

Que concede à nossa ansiosa demanda

Imensidão de afectos, sabores e cores.

Está à frente de nossos amordaçados olhos

Tão perceptível  no toque singelo de lábios

Tão evidente no gesto simples de afago

Mas assim mesmo…

Insistimos em não querer ver

Palpar, saborear, escutar, beijar

Cheirar, intuir, sei lá!

Na verdade, somos incapazes

Do óbvio percepcionar.

Somos parte evidente de um todo

Que nos mima, abraça e acompanha

Imensa é a luz, no iluminar tamanha

A amplitude em nosso respirar.

É só descentrarmo-nos do ego

Embrenharmo-nos na ramagem

Nessa que é a mãe, pura beleza

Espírito da fonte, essencial à vida

Ciclo do ser no estar e do estar no ser.

É isto viver.

Conceição Sousa in "pontas soltas: nós"

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