“Se eu pudesse…” (04.09.2010)
Se eu pudesse…
Chamaria a mim
os incautos das leis
Arrancaria dos
dedos os falsos anéis
Sopraria ao
ouvido velha regra em vigor
Seria banido
quem traísse o Amor…
Se eu pudesse…
Apagaria do
discurso a palavra banco
Arrumaria o
dinheiro todo a um canto
Atear-lhe-ia
lume e aqueceria o pobre
Com as cinzas
pintaria de negro luto o cobre
Do capital e do
lucro nada restaria
E o homem o
colarinho branco despiria…
Se eu pudesse…
Eliminaria as
armas da face da Terra
As brancas, as
pretas, as doenças, as tretas
Seduziria até
casa os soldados da guerra
Cortinas de fumo
lançaria para o efeito
Afecto, afago e
arte de sumo em proveito…
Se eu pudesse…
Reuniria padres,
mestres, espíritas e pastores
Tornaria desprendidos
humanos condutores
Destilaria nas
cavernas o interesse inoportuno
Mataria com o
olhar as hipócritas questões
Enraizaria o
verdadeiro sentido do Uno
Alteraria por
completo a alma das religiões…
Se eu pudesse…
Confessaria as
minhas mágoas e as dos outros
Cobriria o
planeta de pão e água pura
Destronaria a
poluição e toda a fartura
Alimentaria de
fé os humanos aos poucos.
Libertaria do
jugo a domesticada consciência
Enterraria toda
e qualquer tipo de prepotência.
Se eu pudesse…
Desmascararia as
hipocrisias sociais
Baniria do toque
as mentes superficiais
Encaminharia
para as vulcânicas termas
Gentes e
criaturas de toda a espécie
Sairiam de lá
apenas as que amadurecessem.
Se eu pudesse…
Exigiria ao
tempo que parasse um segundo
Silenciaria as
populações de todo o mundo
Mostraria o real
valor do momento
Mordiscaria um a
um até o jumento
Faria com que
retivessem estas simples ideias
Passado e futuro
não existem no Agora
E o Presente
partilhem a meias…
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