meu bem
nunca
desejei mal a ninguém.
e mesmo todo
o mal que desejei
foi para que
pudesses saborear o bem.
bastou uma
vez
para que
percebesse que,
no mal,
não há quem
viva bem:
nem tu,
nem eu,
nem ninguém.
e todo o mal
que me desejas,
sei que é
para o meu bem;
na voz que
não me falas,
no gesto que
não me fazes,
no toque que
não me tocas,
na presença
que me ignoras,
eu sei, meu
bem…
é tudo para
o meu bem.
Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."
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