terça-feira, 11 de novembro de 2014

meu bem


meu bem

 
nunca desejei mal a ninguém.

e mesmo todo o mal que desejei

foi para que pudesses saborear o bem.

bastou uma vez

para que percebesse que,

no mal,

não há quem viva bem:

nem tu,

nem eu,

 nem ninguém.

e todo o mal que me desejas,

sei que é para o meu bem;

na voz que não me falas,

no gesto que não me fazes,

no toque que não me tocas,

na presença que me ignoras,

eu sei, meu bem…

é tudo para o meu bem.

Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."

Sem comentários:

Enviar um comentário