segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O que me move ( continua...)


O que me move

É o Amor

Pelos meus rebentos

E todos os rebentos

Que um dia hão-de pensar:

-Oh mãe ! P’ra onde foste ?

Vem me buscar.

Não venho buscar, não.

Estou nestes versos, aqui.

Renasce das cinzas

Luta com os teus “eus”

Afasta as tuas mágoas

Perdoa os teus enganos

Recomeça de novas águas

Apega-te ao teu Deus

Confia no próprio dano

E não baixes o pano!

 

O que me move

É o Amor

Pelo meu imperador

E todos os imperadores

Pelo meu sorrir

E todos os sorrires

Pela minha flor

E todas as flores.

Pela ternura com que os crio

Pela doçura com que os amo

Um dia hão-de me inquirir:

-Oh mãe! Por onde hei-de sair?

Não saias. Fica.

Agarra-te a ti, à tua consciência

Enfrenta-te e à tua demência

Dialoga contigo e com o teu carrasco

Arruma os atritos na prateleira

A angústia do ontem a um canto

Começa do zero, inspira-te

Perdoa-te como a um santo

E manobra na vida o mastro

Veleja na luz da tranquilidade

Agarra-te à minha saudade.

 
Conceição Sousa in "pontas soltas: nós"

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