terça-feira, 25 de novembro de 2014

de verdade, amei-te


de verdade, amei-te.     

 
no ar que te sustenho, encontro-te ( átomos de dor ) na calçada do céu.

inspiro veladas partículas, ridículas poeiras de luz : do amor o véu.

entre suspiros, em trote, o cavalo marca sua ferradura na cruz;

pára, exausto, relincha no claustro, preso ao torpor do corpo: conduz.

é o sopro : é agora. é o vento: demora. é tudo o que já foi outrora.

a vida - danada. a ora ouriçada ora apagada vida - a que também cospe.

e a morte sabe, a morte está : sempre a sorte do que será - o lado mais forte.

no ar que te respiro digo (mil vezes digo): sei-te, sinto-te, amei-te.

de verdade, amei-te.

Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."

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