sábado, 8 de novembro de 2014

Ode à Mulher


“Ode à Mulher” (01.09.2010)

 
Simples, contida é esta mulher

Ama a vida e sabe o que não quer

Levanta o ânimo dos que a escutam

Enfrenta o pânico daqueles que lutam

Tece o bem em linha de renda

Testa o desdém de quem está à venda

Emenda, emenda e emenda...

Atura paciente a dor alheia

Remata contente na hora da ceia

Morde a injustiça e apega-se às letras

Age sem pena, não tolera tretas

Nasce a cada dia, embora sempre lá

Duvida por norma, mas permanece cá

Acalma, acalma e acalma...

Nada como peixe no rio do dó

Anima assim mesmo na garganta o nó

Tudo sonha e tudo perde

Aspira o chão mas até esse cede

Lastima a vida que não teve

Inflige nos queixosos o poder da resistência

Ataca, ataca e ataca a neurótica anuência

Afasta íntegra o lado negro do estar

Lança de luva branca o verbo amar

Inspira, na perfeição, o dar a outra face

Canta alegre os momentos em que renasce

E cresce, cresce, cresce...

Encaixa o dom de saber ser

Lapida no espírito um toque de mulher

Intui no porte daquele que sabe

Sofre pelo outro sem fazer alarde

Actua, actua e actua...

Cativa pela constância do doce lidar

Usurpa o trabalho que não quer o par

Sustenta no doméstico a aura do coração

Torce o estendal da eterna devoção

Oferece a mão-de-obra no aspirar da alma o pó

Desvenda no brunir um acarinhar do que está  só

Incrusta no espírito a receita do incondicional Amor

Amamenta, amamenta e amamenta todo o tipo de dor...
 
 
Conceição Sousa in "Eu ou Ela?"

 

 

 

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