“Ode à Mulher” (01.09.2010)
Simples, contida
é esta mulher
Ama a vida e
sabe o que não quer
Levanta o ânimo
dos que a escutam
Enfrenta o
pânico daqueles que lutam
Tece o bem em
linha de renda
Testa o desdém
de quem está à venda
Emenda, emenda e
emenda...
Atura paciente a
dor alheia
Remata contente
na hora da ceia
Morde a
injustiça e apega-se às letras
Age sem pena,
não tolera tretas
Nasce a cada
dia, embora sempre lá
Duvida por
norma, mas permanece cá
Acalma, acalma e
acalma...
Nada como peixe
no rio do dó
Anima assim
mesmo na garganta o nó
Tudo sonha e
tudo perde
Aspira o chão
mas até esse cede
Lastima a vida
que não teve
Inflige nos
queixosos o poder da resistência
Ataca, ataca e
ataca a neurótica anuência
Afasta íntegra o
lado negro do estar
Lança de luva
branca o verbo amar
Inspira, na
perfeição, o dar a outra face
Canta alegre os
momentos em que renasce
E cresce,
cresce, cresce...
Encaixa o dom de
saber ser
Lapida no
espírito um toque de mulher
Intui no porte
daquele que sabe
Sofre pelo outro
sem fazer alarde
Actua, actua e
actua...
Cativa pela
constância do doce lidar
Usurpa o
trabalho que não quer o par
Sustenta no
doméstico a aura do coração
Torce o estendal
da eterna devoção
Oferece a
mão-de-obra no aspirar da alma o pó
Desvenda no brunir
um acarinhar do que está só
Incrusta no
espírito a receita do incondicional Amor
Amamenta,
amamenta e amamenta todo o tipo de dor...
Conceição Sousa in "Eu ou Ela?"
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