quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Berlindes


Berlindes

Eu queria embalar as tuas luas,
bordá-las num colar ao peito,
para que nunca a sua luz se soltasse
em berlindes por outros universos,
e te abandonasse nas trevas, meu filho,
de um estar vazio de mãe.
Coloco-te este colar, com as minhas próprias mãos,
só visível para nós,
os nossos sonhos, que ainda bordo,
nas letras com que remendo as brechas do teu coração:
amor de mãe, calor de pai, amparo de irmão.
Segura-te, meu filho, à corrente de vida,
o luar da família, a sagrada união.

 Abandono

O certo seria

aqueles olhos tão ternos

que nos receberam e acompanharam,

que nos olharam de cima, e em baixo ficaram,

poderem levar-nos pela mão até ao fim –

e entregarem-nos ao sono

sem nunca sentirmos a derradeira sensação de abandono.

Conceição Sousa in "Podes ir, mas não sem antes voltar."

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