não
quero o teu toque
deito-me no nossa cama e não quero que me toques;
tocas-me ao de leve: encolho-me: rejeito-me.
neste segundo não te quero e não quero sentir o teu toque: abjecto-me.
sei que te causo sofrimento e que te dói este meu momento,
mas não quero que me toques: vomito se me tocas – não aguento.
sais da nossa cama: alívio na perda do santo sacramento.
espreguiço-me: descanso.
é de toque a obrigação; não quero mais que me toques:
evidente contracção.
e mereces ser tocado, amado, na tua meiguice, na tua doçura;
mas o meu corpo não quer o teu toque – reclama baldios de candura,
campos férteis de loucura.
a minha alma não quer mais o teu toque; exige-te de toque diabrura.
mereces eternidade em toque e livrar-te da ausência do meu toque
na tua ternura.
desculpa este vazio que sou na tua fartura.
Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."
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