domingo, 23 de novembro de 2014

beija-me lentamente


beija-me lentamente

beija-me doce e lentamente;

demora-te, vivo, no amor que me sentes;

ama-me, arrepio de alma, no corpo cansado;

cobre-me de ti na nossa existência,

dita-nos certos neste fado;

sussurra-me no som  do meu embalo

esse timbre… deixa-me abraçá-lo.

não me iludas: vive-me.

em versos nos componho e à vida –

a que tu chamas de ilusão:

a minha realidade na tua mão.

faz-nos momento de nós na ocasião.

e quem nos ler adiante

que perceba não a fama,

mas sim o proveito. sim: o proveito.

porque se só fama for

serão vidas escritas com defeito.

espíritos eternizados nas letras do estar,

mas em vida que é vida desfeitos de dor.

 
Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."

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