beija-me
lentamente
beija-me doce e lentamente;
demora-te, vivo, no amor que me sentes;
ama-me, arrepio de alma, no corpo cansado;
cobre-me de ti na nossa existência,
dita-nos certos neste fado;
sussurra-me no som do meu embalo
esse timbre… deixa-me abraçá-lo.
não me iludas: vive-me.
em versos nos componho e à vida –
a que tu chamas de ilusão:
a minha realidade na tua mão.
faz-nos momento de nós na ocasião.
e quem nos ler adiante
que perceba não a fama,
mas sim o proveito. sim: o proveito.
porque se só fama for
serão vidas escritas com defeito.
espíritos eternizados nas letras do estar,
mas em vida que é vida desfeitos de dor.
Conceição Sousa in "ai. como dói. esta dor."
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