segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Meteoro


Meteoro

Não podemos obrigar o outro a olhar

para o que a vida não permitiu que consiga ver,

mas podemos sempre tentar iluminar o caminho.

Não são as estrelas pequenas fagulhas mortais

a incendiar o caminho de quem quer se afundar no escuro à procura do além?
Até o meteoro, antes de abraçar o chão,

incandesce quem cruza o tempo de uma queda,

num sorriso deslumbrado ( e de raro brilho) –

um pico de êxtase: oh!, felicidade! –

que passa todas as barreiras do som,

num silêncio premonitório,

e, antes de beijar o que sempre foi muro e só,

estilhaça tudo o que é quebrável.

Mas tocou ou não tocou?

Em brilho, em tom, em tacto, em odor a chamuscado – e até em sabor a metal:

o golpe no coração: intacto.

 

O silêncio premonitório?

Fácil: intuição: essa, nunca falha.

Conceição Sousa in "Um Doce Travo a Fel"

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