E quando para mim
olhas
E quando para mim olhas sem, no entanto, olhar de facto… beijo-te.
Beijo-te mais ainda quando me olhas firme nos olhos manténs
contacto;
Beijar-te-ei, demorada e intensamente, quando a tua face
tocar a minha: gemido acto.
Mas “quando” não é infinito – e o sangue arrefece, falece.
E o que agora te digo é do agora: agora acontece – porque te
digo: acontece.
Embala comigo, nosso estar tece. Tece-me à medida: p’ra ti
irei.
Se tu e o tempo o permitirem: respirarei – sem fôlego (fogo)
nos consumirei.
É como te digo. Agora estou. Amanhã, não sei: estarei ou não
estarei.
Amanhã, não sabes: estarás ou não estarás. Há dúvidas?
Eu já te beijei. Gostei. Gosto.
Conceição Sousa in "pontas soltas: nós"
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