terça-feira, 25 de novembro de 2014

E quando para mim olhas


E quando para mim olhas

E quando para mim olhas sem, no entanto,  olhar de facto… beijo-te.

Beijo-te mais ainda quando me olhas firme nos olhos manténs contacto;

Beijar-te-ei, demorada e intensamente, quando a tua face tocar a minha: gemido acto.

Mas “quando” não é infinito – e o sangue arrefece, falece.

E o que agora te digo é do agora: agora acontece – porque te digo: acontece.

Embala comigo, nosso estar tece. Tece-me à medida: p’ra ti irei.

Se tu e o tempo o permitirem: respirarei – sem fôlego (fogo) nos consumirei.

É como te digo. Agora estou. Amanhã, não sei: estarei ou não estarei.

Amanhã, não sabes: estarás ou não estarás. Há dúvidas?

Eu já te beijei. Gostei. Gosto.

Conceição Sousa in "pontas soltas: nós"

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