Voo
Ando
por aqui e por ali,
meia
perdida e meia encontrada,
sem
saber muito bem para que lado hei-de me virar,
e
sempre a saber tão bem em que lugar quero estar.
Ando
por aqui e por ali, e, quando te chego,
quando
te quero e te sou,
quando
te convido e nos conversamos,
quando
nos confortamos e amamos
nisto
que somos (nisto que realmente somos. Seremos?),
quando
nos olhamos na montra do lago...
esvazio-me,
entonteço, adormeço de mundo,
de
vida, de morte, de mim, disto: é oco...
é
leve, tão leve, tão sem gravidade.
Agarra-me!
Segura-me! Aperta-me! Abraça-me que voo...
m como tu já voltaste algumas vezes,
lembras-te?
Penso que o importante é sabermos, nesses raros momentos em que nos soltamos um
do outro, que nos estamos a perder um ao outro;
penso que o importante é o outro ficar alerta - sempre alerta ( é o que tem
acontecido, não?) - e manter-se firme na decisão de não desistir, de não deixar
de amar, de até saber que é nesse instante - o da perda iminente - que a paixão
regressa com a força de um vulcão em erupção;
penso que o importante é o amor: a certeza desta ternura que nos abre os braços
na hora de regressar a casa.
És tu o meu doce lar.
Viaja, conhece, meu cavaleiro,
mas volta lá da Dinamarca para me continuares a amar.
Conceição Sousa in "Um Doce Travo a Fel"
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