quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Voo


Voo

Ando por aqui e por ali,

meia perdida e meia encontrada,

sem saber muito bem para que lado hei-de me virar,

e sempre a saber tão bem em que lugar quero estar.

Ando por aqui e por ali, e, quando te chego,

quando te quero e te sou,

quando te convido e nos conversamos,

quando nos confortamos e amamos

nisto que somos (nisto que realmente somos. Seremos?),

quando nos olhamos na montra do lago...

esvazio-me, entonteço, adormeço de mundo,

de vida, de morte, de mim, disto: é oco...

é leve, tão leve, tão sem gravidade.

Agarra-me! Segura-me! Aperta-me! Abraça-me que voo...
m como tu já voltaste algumas vezes, lembras-te?
Penso que o importante é sabermos, nesses raros momentos em que nos soltamos um do outro, que nos estamos a perder um ao outro;
penso que o importante é o outro ficar alerta - sempre alerta ( é o que tem acontecido, não?) - e manter-se firme na decisão de não desistir, de não deixar de amar, de até saber que é nesse instante - o da perda iminente - que a paixão regressa com a força de um vulcão em erupção;
penso que o importante é o amor: a certeza desta ternura que nos abre os braços na hora de regressar a casa.
És tu o meu doce lar.
Viaja, conhece, meu cavaleiro,
mas volta lá da Dinamarca para me continuares a amar.

Conceição Sousa in "Um Doce Travo a Fel"

Sem comentários:

Enviar um comentário