Agreste é o caminho - íngreme o fado -
Gélido o atalho (em névoa cerrado).
No rio estreito da curta existência
Que passa… mesmo ali ao lado,
Vamos - tu e eu- de braço dado
Não se corta a direito nem sequer a eito.
Na margem, aqueles outros -que não nós -
Numa apatia, pesarosa e triste, observam.
Não conhecemos o timbre da sua voz.
Atentam nas águas reboliças, zangadas,
Nessa luta por respirar - a deles.
Incarnam nas urtigas ensonadas
O rubor das sangrentas chagas - as nossas.
Estátuas apontam a corrente arredia
Sorriem encenadas poses do tudo
Imagens de cera - só isso - derretem
Ao abrasador calor - liquefeitos no nada.
Aqui - molhados em galhos de azul e luz -
Encharcados na lama dos húmidos amores,
Entrelaçamos nossas dores – sufocando.
Engolindo golpes de água laminando
Piso o fundo - olhos bem arregalados -
Envolta em cardumes de sonhos rosa
Seguras-me na alma p’ra cima elevando
Inspiro, na tua alavanca, de um sopro só
Ondina, sereia em cântico remando;
Não te vejo respirar dourado a meu lado.
Mergulho na escuridão soando abaixo,
Agarro-te quando te sinto perto
De olhos fechados em tua boca embarco
-À tona - num salto de helénicas odes, olímpico.
Desesperas na sobrevivência catártica de ti - de nós.
Libertas o perfumado elixir dionisíaco - aos soluços.
É certo que observamos outros de bruços
Como nenúfares sorrindo aguardamos…
O tronco que a jangada seduziu e iludiu
Cúmplice ao perceber
que dela desistiu ,
Imponente em sua
maciça simplicidade
Oferece-nos amparo e da vida saudade.
E os galhos de luz o enrugado porte contemplam…
Juntam-se todos no pântano da sorte
Almejam paragem momentânea da torrente
Confundem-se no negrume e fintam a morte.
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